Desde segunda-feira, dia 21 de maio, os caminhoneiros entraram em greve, devido ao aumento dos preços do diesel. Isso vem ocasionando o bloqueio de diversas rodovias e o desabastecimento de combustíveis para vários setores. Inclusive o da construção civil, que não está recebendo insumos e distribuindo mercadorias.

Um exemplo é a indústria do cimento. De acordo com o portal de notícias da Época Negócios, com a greve, a indústria de cimento está conseguindo entregar apenas 5% da quantidade necessária para a produção normal. Como em média esse segmento distribui diariamente 200 mil toneladas de cimento no país. Com o transporte rodoviário respondendo por 96 % da distribuição, as consequências não têm sido boas.

“Como as fábricas funcionam em regime de operação contínua, cimenteiras de todo o país estão sofrendo impactos. Tanto na distribuição do produto como nas entregas dos insumos necessários à sua fabricação”, afirma o sindicato Nacional da Indústria de Cimento em nota.

O órgão ainda complementa que “mesmo após o final da greve dos caminhoneiros, será necessário um período de ajustamento de pelo menos duas a três semanas para que o funcionamento das fábricas de cimento seja normalizado”, disse o sindicato, alertando para os “desdobramentos da paralisação dos caminhoneiros para a cadeia da construção civil, afetando diretamente a manutenção dos empregos da indústria da construção”.

Empresas estão com dificuldades de entregar seus insumos

Essa situação não tem sido diferente paragrandes empresas. A Duratex, responsável pelas operações Deca, Hydra e Ceusa, informou que a empresa não paralisou suas atividades. Mas está com dificuldades para transportar insumos essenciais para a produção dos produtos de todas as marcas da organização. A empresa afirma que está trabalhando em ações para diminuir o impacto dessa situação para os seus clientes.

Outra organização que se manifestou é a Mexichem Brasil, dona da Amanco. A empresa, em nota, afirma que um plano de contingência foi adotado nas sete fábricas no país de forma a não paralisar as operações. No entanto, as entregas de mercadorias aos clientes acabaram sendo afetadas. Desde o início da semana, os caminhões da empresa estão parados, no aguardo da liberação das rodovias. A companhia acrescentou que, após o fim da greve, será necessário alguns dias para normalizar as operações logísticas.

Alguns estados, como o Espírito Santo, já começaram a fazer um balanço prévio dos impactos da greve para a economia. Segundo Léo de castro, presidente da Findes (Federação das Indústrias do Estado do Espírito Santo), “com a paralisação, o PIB industrial do estado, que equivale a 40% do produto total do Espírito Santo, vai ser impactado. Os prejuízos acumulados em quatro dias de paralisação giram em torno de R$ 150 milhões a R$ 200 milhões”. Isso obviamente reflete no setor da construção, que demandamuita mão de obra do estado.

De acordo com Paulo Baraona, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Espírito Santo (Sinduscon), “se a greve tiver uma duração maior, ela pode comprometer a entrega de materiais que vêm de fora do estado e impactar nos prazos das construtoras. Além disso, caso outras categorias se unam aos caminhoneiros, isso poderá afetar no deslocamento dos trabalhadores e até mesmo na operação dos caminhões de concreto”, afirma.

A Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (ABRAMAT) ainda não elaborou um balanço da quantidade de unidades paradas nem dos impactos econômicos. No entanto, admitiu que vê a greve dos caminhoneiros com muita preocupação em função do desabastecimento à indústria e à população.

Ou seja, o impacto geral da greve ainda não temos, mas entendemos que a construção civil é um dos pilares essenciais – e um dos mais afetados – que movem a economia brasileira.

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